Ruas de papel.
Alguma coisa às ruas devo.
Àqueles ladrilhos mal postos,
Aos becos, inóspitos.
Por meio deles me descrevo.
Nessa cidade de papel, escrevi um conto.
Distinta imensidão como tábula rasa:
Clara irrealidade que dá asa.
Nas tuas esquinas defini um ponto.
Nestas ruas de papel um homem se faz, um
Homem se estende e um homem se perde.
Hermética existência do ser, assim
Define o fim da melodia poética.
Erro crasso, dita perfeição desfaço.
Aos rabiscos indesejados,
A estes não devo nada.
Aos desejados devo, e sinto.
Nestas ruas de papel me escrevi,
Nestas ruas de papel apaguei;
E nestas ruas de papel vejo um poema:
Efêmero,
amorfo e cruel.
"Me Looking At Her Looking At Me", Jenna Gribbon, Oil on Linen, 2018.

Sempre partilhando belíssimas palavras, orgulho de ler!
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