"Stop the count"? Better stop the clowns.


Este ensaio buscará compreender e estabelecer as relações entre os conceitos de democracia, partidos políticos, eleições, movimentos sociais e meios de comunicação com o cenário político e social dos Estados Unidos da América durante seu período eleitoral no ano de 2020. Para tal, utiliza-se da contribuição primordial das obras de J. Tyler Dickovick, Jonathan Eastwood, Andrew Heywood e Gianfranco Pasquino, visando analisar de forma crítica e embasada o que motivou os eventos desse período tão ímpar da história norte-americana.


No momento político atual, após o mundo democrático ter assistido aos episódios conturbados do processo eleitoral nos Estados Unidos da América, florescem, nos mais diversos e acalorados debates, questionamentos acerca do real funcionamento da democracia no território do “Tio Sam” e a influência que diversos fatores, como as mídias, os movimentos sociais e até mesmo a organização dos partidos políticos no país, podem ter tido nos eventos da última eleição norte-americana. De fato, para se fazer claro diante de uma discussão tão multifacetada como tal, é crucial compreender o contexto histórico recente que permitiu tais acontecimentos.


Há quatro anos, em 2016, o 45º presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump, foi eleito e com isso a nação estadunidense conheceu um novo período político e social bastante singular, marcado por fortes polarizações e crescentes radicalismos, sustentados por uma política presidencial caracterizada pelo negacionismo exacerbado e a disseminação de notícias falsas, como afirmou um jornalista da BBC:


 “Aparentemente da noite para o dia, o Presidente Trump pegou a frase “notícia falsa” e a ressignificou para notícias que ele simplesmente não gostava ou notícias que ele não queria que seus apoiadores ouvissem.” [1]. 


Com isso, a população foi tornando-se cada vez mais heterogênea e diversas discussões infectaram-se com uma forte carga ideológica partidária, especialmente entre os apoiadores do partido de Donald Trump, o Partido Republicano, que mostravam-se dificultantes à realização de debates e resoluções saudáveis, não somente entre a população mas também dentro do cenário político institucional, em que a dificuldade de se chegar a acordos era cada vez mais acentuada, como foi analisado por uma pesquisa realizada em Maio de 2020:


Recent research in psychology has primarily highlighted the negative consequences of polarization in America. Americans accept smaller paychecks to avoid listening to opposing partisans, move to new places to surround themselves with ideologically similar residents, and swipe left on people with whom they disagree politically. [...].

Likewise, Americans have trouble critically evaluating the flaws and merits of policies. Instead, they seek information that confirms their partisan preferences and disregard facts that counter them. Out of loyalty, they treat core party issues as immune to debate and suppress their opponents’ views.  [2]

 

Verdadeiramente, a evolução dessas características entre os norte-americanos provou-se, nas eleições presidenciais de 2020, um fator chave para o desencadeamento de uma descrença por parte da população no processo democrático do país. Em novembro deste ano, após os resultados terem garantido a vitória ao candidato democrata, Joe Biden, os apoiadores do candidato republicano derrotado, incentivados pelo mesmo, foram às ruas em passeata contra uma suposta fraude eleitoral, carregando placas em que se lê “Mais quatro anos”, “Trump 2020”, “Melhor presidente da história” [3] e outras também infestadas com essa cegueira ideológica, tudo isso alavancado por afirmações infundadas e um negacionismo imparável. Pouco tempo depois de tais movimentos tomarem conta da pauta dos chamados “trumpistas” (apoiadores de Donald Trump), a tal "fraude” foi comprovada falsa e o processo eleitoral legitimado. Todavia, cabe ressaltar que este movimento foi iniciado muito antes mesmo do fim das eleições, onde o então presidente Trump já alegava que não aceitaria resultado diferente de sua vitória [4]. De acordo com o cientista político italiano, Gianfranco Pasquino;


“Tudo aquilo que diz respeito à definição de eleições livres, competitivas, realizadas em prazos pré-estabelecidos [...] e significativas [...] constitui um dos aspectos fundamentais, talvez o principal, da democraticidade de um regime político. [...] Já ninguém põe em causa que o voto «democrático» deve ser [...] igual, no sentido de que todos os votos tenham o mesmo valor; [...] e significativo, produzindo efeitos sobre a distribuição do poder político, em termos de cargos e de lugares.”  [5]


A partir disso, questiona-se se é possível afirmarmos que o processo eleitoral nos Estados Unidos da América foi democrático, uma vez que o próprio presidente da república com seu discurso negacionista ameaçava a qualidade significativa, pois deslegitimava em seu discurso a viabilidade de uma mudança no poder, e a qualidade igualitária, pois retirava o valor de qualquer voto de oposição ao afirmar que de nada adiantaria, como foram definidas acima. Para muitos, a resposta seria óbvia: não. Isso pois, de fato, tais atitudes vindas de um então presidente podem ser vistas como ameaças à segurança nacional, como enfatizou a equipe do atual presidente estadunidense, Joe Biden:


“ [...]  entre outros efeitos nocivos, a recusa de Trump de reconhecer a sua derrota põe em risco a segurança nacional, já que até agora o presidente eleito ainda não recebeu nenhum dos relatórios diários dos serviços de inteligência.”  [6].

 

Parece, portanto, oportuno, diante de tal momento conturbado na política estadunidense, adicionar que um dos agravadores da situação pode estar no cerne organizacional da política do país. Ou seja, é possível pôr em questão se parte dos problemas contemporâneos não partem de uma plausível exaustão do sistema partidário americano. Isso porque, talvez, os cidadãos americanos tenham evoluído, politicamente, para um ponto em que torna-se necessário expandir os horizontes representativos na política a fim de que mais vozes sejam ouvidas e a polarização se disperse. Para exemplificar, faz-se pertinente evocar uma definição sobre a importância da representatividade nos partidos políticos dada pelo autor britânico, Andrew Heywood: “Representation [...] is often seen as the primary function of parties. It refers to the capacity of parties to respond to and articulate the views of both members and the voters.”, acrescentando depois que “In the language of system theory, political parties are major `inputting` devices that ensure that government heeds the needs and wishes of the larger society” [7]. Deste modo, percebe-se o quão distante o modelo norte-americano está das definições básicas sobre partidos, uma vez que, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Cambridge, “Dissatisfaction with democracy within developed countries is at its highest level in almost 25 years [...] The UK and the United States had particularly high levels of discontent”[8] e por isso necessitaria de uma reforma. Na realidade, o modelo norte-americano, com dois partidos, é mais incomum do que o senso-comum nos permite perceber. De acordo com Dickovick e Eastwood: 


“Two-party systems may seem natural and stable to those who have lived their lives in them, but they are not the most common party system in a democracy. In fact, most democracies have more than two major parties.The scholar Arend Lijphart studied thirty-six long-standing democracies and found that multiparty systems with three or more parties were the norm in about half of these countries”. [9]

 

  Tendo em vista os argumentos supracitados, não faz-se tarefa desafiadora imaginar que os impactos de tais políticas tão danosas afetariam diversos outros planos da sociedade estadunidense, como é o caso das questões raciais. Em maio de 2020, ocorreu, na cidade de Minneapolis, em Minnesota, um caso de violência policial brutal que culminou na morte de um homem negro, George Floyd. Tal caso teve repercussões a nível global, gerando grandes revoltas, em especial no território norte-americano. Com isso, as discussões sobre racismo tomaram conta da população, mas ao invés de serem ouvidos pelo governo, o povo passou a ser cada vez mais reprimido e os casos de violência policial não diminuíram. De acordo com um site estadunidense, cerca de 1000 pessoas são mortas todos os anos pelas mãos da repressão policial, sendo os casos com homens negros 2,5 vezes maiores que o resto [10]. Como resposta, voltou a ganhar espaço no cenário internacional o movimento conhecido por “Black Lives Matter”, um movimento social que tem como objetivo mor a luta contra o racismo,  que nasceu em 2013 por três ativistas norte-americanas: Alicia Garza, da aliança nacional de trabalhadoras domésticas; Patrisse Cullors, da coalizão contra a violência policial em Los Angeles; e Opal Tometi, da aliança negra pela imigração justa [11]. Como movimento social, o “BLM” (Black Lives Matter) vivenciou grandes êxitos, sendo capaz de mobilizar uma quantidade considerável de pessoas e tornar-se uma pauta de extrema relevância. Remetendo aos textos de Gianfranco Pasquino, percebe-se que todo movimento “procurará maximizar as suas oportunidades de sucesso fazendo apelo aos recursos a que pode aceder com mais facilidade e utilizando os canais de comunicação e de pressão sobre o poder político que lhe são mais convenientes do ponto de vista técnico-organizativo e mais favoráveis político e das atitudes de opinião pública”[12] e a partir disso, nota-se como o BLM soube aproveitar perfeitamente o momento político dos E.U.A. para colocar sua pauta em causa. Com isso, mostra-se pertinente citar a fala de um homem negro, Lee Percy Christian, durante uma entrevista ao jornal BBC: “A batalha não mudou. Mas o campo do jogo mudou. A plataforma mudou, o processo mudou. O que aconteceu é que há uma negação da realidade do que as pessoas de cor vivenciam nesta nação”[13], mostrando que é necessário recorrer a outros métodos quando o próprio mecanismo do Estado se recusa a resolver as questões pertinentes, e essa via são os movimentos sociais, nesse caso: Black Lives Matter.


Finalmente, resta ao entusiasmo do assíduo leitor deste texto refletir com sabedoria sobre o que aqui foi dissertado. Seria, como proposto pelo ex-presidente dos E.U.A., crucial “Stop the count” [14] (parar a contagem dos votos) para solucionar os problemas da eleição e da nação norte-americana ou seria mais aconselhável parar com a banalização da política e tratar a democracia, as eleições, os partidos políticos e os meios de comunicação com a seriedade devida? Tal resposta recai apenas sobre a interpretação de cada um a respeito dos fatos aqui explicitados.



En español:


Este ensayo buscará comprender y establecer las relaciones entre los conceptos de democracia, partidos políticos, elecciones, movimientos sociales y medios de comunicación con el escenario político y social de los Estados Unidos de América durante su período electoral en 2020. Para eso, utiliza las obras de J. Tyler Dickovick, Jonathan Eastwood, Andrew Heywood y Gianfranco Pasquino, con el objetivo de analizar de manera crítica y fundamentada qué motivó los hechos de este período tan único en la historia de Estados Unidos.


En el momento político actual, luego después que el mundo democrático haya visto los convulsos episodios del proceso electoral en los Estados Unidos de América, surgieran cuestionamientos sobre el funcionamiento real de la democracia en el territorio del “Tío Sam” y la influencia que varios factores, como los medios de comunicación, los movimientos sociales e incluso la organización de partidos políticos en el país, pudieron haber tenido en los hechos de las últimas elecciones estadounidenses. De hecho, para ser claros ante una discusión tan multifacética como tal, es fundamental comprender el contexto histórico reciente que permitió tales hechos.


Hace cuatro años, en 2016, fue elegido el 45 ° presidente de los Estados Unidos de América, Donald J. Trump, y con eso la nación estadounidense vivió un nuevo período político y social muy singular, marcado por fuertes polarizaciones y crecientes radicalismos, apoyado por una política presidencial caracterizada por un negacionismo exacerbado y la difusión de noticias falsas, como afirmó un periodista de la BBC:


 "Aparentemente, de la noche a la mañana, el presidente Trump tomó la frase" noticias falsas "y la reformuló para incluir noticias que simplemente no le gustaban o noticias que no quería que sus seguidores escucharan". [1].


Como resultado, la población se volvió cada vez más heterogénea y varias discusiones se infectaron con una fuerte carga ideológica partidaria, especialmente entre los simpatizantes del partido de Donald Trump, el Partido Republicano, quienes demostraron ser difíciles de sostener debates y resoluciones saludables, no solo entre la población. pero también dentro del escenario político institucional, en el que se acentuaba cada vez más la dificultad para llegar a acuerdos, como lo analiza una encuesta realizada en mayo de 2020:


La investigación reciente en psicología ha destacado principalmente las consecuencias negativas de la polarización en Estados Unidos. Los estadounidenses aceptan cheques de pago más pequeños para evitar escuchar a los partidarios de la oposición, mudarse a nuevos lugares para rodearse de residentes ideológicamente similares y deslizar el dedo hacia la izquierda sobre las personas con las que no están de acuerdo políticamente. [...].

Asimismo, los estadounidenses tienen problemas para evaluar críticamente las fallas y los méritos de las políticas. En cambio, buscan información que confirme sus preferencias partidistas y desatienden los hechos que las contrarrestan. Por lealtad, tratan los temas centrales del partido como inmunes al debate y reprimen las opiniones de sus oponentes. [2]

 

En concreto, la evolución de estas características entre los estadounidenses resultó ser, en las elecciones presidenciales de 2020, un factor clave para desencadenar la incredulidad de la población en el proceso democrático del país. En noviembre de este año, luego de que los resultados garantizaran la victoria del candidato demócrata, Joe Biden, los partidarios del derrotado candidato republicano, influenciados por él, salieron a las calles en una marcha contra un presunto fraude electoral, portando carteles que decían “Cuatro años más ”,“ Trump 2020 ”,“ Mejor presidente de la historia ”[3] y otros también infestados de esta ceguera ideológica, todos apalancados por afirmaciones sin fundamento y un negacionismo imparable. Poco después de que estos movimientos se hicieran cargo de la agenda de los llamados "trumpistas" (partidarios de Donald Trump), se demostró que ese "fraude" era falso y se legitimó el proceso electoral. Sin embargo, este movimiento se inició mucho antes del final de las elecciones, donde el entonces presidente Trump ya afirmó que no aceptaría otro resultado que no fuera su victoria. [4] Según el politólogo italiano Gianfranco Pasquino;


“Todo lo que concierne a la definición de elecciones libres, competitivas, realizadas dentro de plazos preestablecidos y significativos ... es uno de los aspectos fundamentales, quizás el principal, de la naturaleza democrática de un régimen político. [...] Nadie más cuestiona que el voto "democrático" debe ser el mismo, [...] en el sentido de que todos los votos tienen el mismo valor; [...] y significativos, produciendo efectos en la distribución del poder político, en términos de posiciones y lugares ”. [5]


Con base en eso, se cuestiona si es posible afirmar que el proceso electoral en los Estados Unidos de América fue democrático, ya que el propio presidente de la república con su discurso negacionista amenazó la calidad significativa, pues deslegitimó en su discurso la viabilidad de un cambio de poder, y la igualdad de calidad, porque eliminó el valor de cualquier voto de oposición al afirmar que no sería de utilidad, como se define anteriormente. Para muchos, la respuesta sería obvia: no. Esto se debe, de hecho, a que tales actitudes de un entonces presidente pueden verse como amenazas a la seguridad nacional, como enfatizó el equipo del actual presidente estadounidense, Joe Biden:


"[...] entre otros efectos dañinos, la negativa de Trump a reconocer su derrota pone en peligro la seguridad nacional, ya que hasta ahora el presidente electo aún no ha recibido ninguno de los informes diarios de inteligencia". [6].

 

Por tanto, parece oportuno, ante un momento tan convulso de la política estadounidense, añadir que uno de los agravantes de la situación puede estar en el núcleo organizativo de la política del país. En otras palabras, es posible cuestionar si parte de los problemas contemporáneos no se derivan de un agotamiento plausible del sistema de partidos estadounidense. Esto se debe, quizás, a que los ciudadanos estadounidenses han evolucionado, políticamente, hasta un punto en el que se hace necesario ampliar los horizontes representativos en la política para que se escuchen más voces y se disipe la polarización. Para ejemplificar, es pertinente evocar una definición sobre la importancia de la representatividad en los partidos políticos dada por el autor británico, Andrew Heywood: “La representación [...] es a menudo vista como la función principal de los partidos. Se refiere a la capacidad de los partidos para responder y articular los puntos de vista tanto de los miembros como de los votantes”, y luego agrega que “En el lenguaje de la teoría del sistema, los partidos políticos son importantes dispositivos de entrada que aseguran que el gobierno atienda las necesidades y deseos de la sociedad en general ”[7]. Así, queda claro cuán lejos está el modelo norteamericano de las definiciones básicas de partidos, ya que, según una encuesta de la Universidad de Cambridge, “el descontento con la democracia dentro de los países desarrollados está en su nivel más alto en casi 25 años [.. .] El Reino Unido y los Estados Unidos tenían niveles particularmente altos de descontento ”[8] y, por lo tanto, necesitarían una reforma. En realidad, el modelo estadounidense, con dos partidos, es más inusual de lo que el sentido común nos permite darnos cuenta. Según Dickovick y Eastwood:


“Los sistemas bipartidistas pueden parecer naturales y estables para quienes han vivido sus vidas en ellos, pero no son el sistema de partidos más común en una democracia. De hecho, la mayoría de las democracias tienen más de dos partidos principales. El académico Arend Lijphart estudió treinta y seis democracias de larga data y descubrió que los sistemas multipartidistas con tres o más partidos eran la norma en aproximadamente la mitad de estos países ”. [9]

 

  En vista de los argumentos antes mencionados, no es una tarea desafiante imaginar que los impactos de políticas tan dañinas afectarían varios otros planes de la sociedad estadounidense, como las cuestiones raciales. En mayo de 2020, ocurrió un caso de brutal violencia policial en la ciudad de Minneapolis, Minnesota, que culminó con la muerte de un hombre negro, George Floyd. Este caso tuvo repercusiones a nivel mundial, generando grandes revueltas, especialmente en el territorio norteamericano. Con eso, las discusiones sobre el racismo se apoderaron de la población, pero en lugar de ser escuchadas por el gobierno, la gente comenzó a ser cada vez más reprimida y los casos de violencia policial no disminuyeron. Según un sitio web estadounidense, alrededor de 1000 personas mueren cada año a manos de la represión policial, con casos de hombres negros 2,5 veces mayores que el resto [10]. En respuesta, el movimiento conocido como “Black Lives Matter”, un movimiento social cuyo principal objetivo es la lucha contra el racismo, que nació en 2013 por tres activistas estadounidenses: Alicia Garza, de la Alianza Nacional de Trabajadoras Domésticas; Patrisse Cullors, de la coalición contra la violencia policial en Los Ángeles; y Opal Tometi, de la alianza negra por la inmigración justa [11]. Como movimiento social, el “BLM” (Black Lives Matter) ha experimentado grandes éxitos, logrando movilizar a un número considerable de personas y convertirse en una agenda de suma relevancia. En referencia a los textos de Gianfranco Pasquino, es claro que todo movimiento “buscará maximizar sus oportunidades de éxito apelando a los recursos a los que puede acceder con mayor facilidad y utilizando los canales de comunicación y presión sobre el poder político que más le convengan desde el punto de vista técnico-organizativo y actitudes políticas y de opinión pública más favorables ”[12] y de ahí se desprende cómo la BLM supo aprovechar a la perfección el momento político norteamericano para cuestionar su agenda. Con eso, es pertinente citar el discurso de un hombre negro, Lee Percy Christian, durante una entrevista con el diario de la BBC: “La batalla no ha cambiado. Pero el campo de juego ha cambiado. La plataforma ha cambiado, el proceso ha cambiado. Lo que ha sucedido es que hay una negación de la realidad de lo que viven las personas de color en esta nación ”[13], mostrando que es necesario recurrir a otros métodos cuando el propio mecanismo estatal se niega a resolver los temas relevantes, y esa ruta son los movimientos sociales, en este caso: Black Lives Matter.


Finalmente, queda para el entusiasmo del lector de este texto reflexionar sabiamente sobre lo que se ha dicho aquí. ¿Sería, como propone el ex presidente de EE.UU., “Stop the count” [14] crucial para solucionar los problemas de la elección y de la nación americana o sería más recomendable frenar la banalización de la política y tomar democracia, elecciones, partidos políticos y medios de comunicación en serio? Tal respuesta recae únicamente en la interpretación de cada uno respecto a los hechos aquí explicados.






Referências bibliográficas:


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 BBC News Brasil (2020), “Os traumas raciais em Estado onde negros serão decisivos para Trump e Biden”. Acedido em 30 de Outubro de 2020, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jffxHbFzU3o&feature=youtu.be


Coughlan, Sean (2020), “Dissatisfaction with democracy `at record high`”. BBC News, 29 de Janeiro. Acedido em 29 de Janeiro de 2020, disponível em: https://www.bbc.com/news/education-51281722


 Deutsche Welle (2020), “Apoiadores de Trump em passeata contra “fraude” não provada”, 14 de Novembro. Acedido em 14 de Novembro de 2020, disponível em: https://www.dw.com/pt-br/apoiadores-de-trump-em-passeata-contra-fraude-n%C3%A3o-provada/a-55602984


Dickovick, J. Tyler e Eastwood, Jonathan (2016), Comparative Politics – Integrating theories, methods and cases.Oxford: Oxford University Press, Capítulos 9 e 11:198-222; 252-275.


Folha de S. Paulo (2020), “´STOP THE COUNT´: redes sociais ganham novo meme após Trump pedir interrupção da contagem dos votos”, 5 de Novembro. Acedido em 5 de Novembro de 2020, disponível em: https://hashtag.blogfolha.uol.com.br/2020/11/05/stop-the-count-redes-sociais-ganham-novo-meme-apos-trump-pedir-interrupcao-da-contagem-de-votos/



 Heltzel, Gordon e Laurin, Kristin (2020), “Current Opinion in Behavioral Sciences”. Elsevier. Acedido em Agosto de 2020, disponível em: https://s100.copyright.com/AppDispatchServlet?publisherName=ELS&contentID=S2352154620300450&orderBeanReset=true


 Heywood, Andrew (1997) Politics. London: MacMillan, Capítulo 11: 244-264


 Kapur, Sahil (2020), “Trump has signaled he won't accept an election loss. Many of his voters agree.”. NBC News, 29 de Outubro. Acedido em 29 de Outubro de 2020, disponível em: https://www.nbcnews.com/politics/2020-election/trump-has-signaled-he-won-t-accept-election-loss-many-n1245304


Pasquino, Gianfranco (2002)  Curso de Ciência Política. S. João do Estoril: Principia Publicações Universitárias e Científicas, Capítulo 4-5: 117-183.


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Universa (2020), “Black Lives Matter: entenda movimento por trás da hashtag que mobiliza atos”. Acedido em 3 de Junho de 2020, disponível em: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/06/03/black-lives-matter-conheca-o-movimento-fundado-por-tres-mulheres.htm







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