Garota da Urca.
06/06/2019
A cidade estava um desalinho só,
E eu seguia reto para a Urca
Onde o caos carioca parecia não ousar pôr os pés.
O embrião da cidade do Rio de Janeiro já era acostumado à ideia de parir história
E àquela noite daria luz mais uma vez.
Conversei com o Atlântico, que já a conhecia de outros horizontes, enquanto esperava.
Suas pequenas saudações em forma de carinho na areia pressentiam algo bom.
Chegou.
Me desalinhei um pouco, quase que captando as energias da cidade por um momento,
Mas o beijo foi gesto suficiente para me pôr na linha novamente.
A conversa seguia enquanto passávamos em frente ao antigo Casino.
Inocente eu, sequer percebi que o que estava tendo era maior que qualquer jackpot.
Ouviram-se risos e bastou mais esse momento descontraído.
Tato.
Agora caminhávamos unidos por nossas mãos.
Ação simples com efeitos tão sérios.
À nossa frente, o nosso destino.
Rodeado por pessoas dominadas pela leveza daquela vida noturna
Lá estávamos,
Fluindo,
Ambos explorando aquele mundo bonito e desconhecido que os encarava.
Ela era vasta, bem articulada, charmosa e portanto,
Apaixonante.
Eu, com os pequenos traços tortos e alguns borrões aqui e acolá, acreditava estar sendo capaz de desenhar um lindo morro.
Morro aquele que contrastava a linda figura à minha frente.
Figura a qual estava sendo pintada,
Diante de mim, pelos pincéis mais caprichosos e com as cores mais belas que se conhece.
Eram as luzes dos pequenos barcos,
Juntos ao reflexo do céu na água,
Com traços únicos de feixes laranjas que complementavam seu contorno.
Encontro.
Era melhor do que lembrávamos.
Havia aquele qual de sintonia e o necessário de paixão.
Momentos bons que são escritos à tinta:
Difíceis de apagar.
Ainda mais quando têm como selo
O mais belo som do mar em encontro com as rochas.
Foi ali que eu soube,
Era ela,
A Garota da Urca.
Texto mais bonito que o por do sol na Mureta da Urca ☀️
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